Mosquito da dengue: como encontrar o criadouro na sua casa
O mosquito da dengue não vem do esgoto nem do mato: ele se cria em água limpa e parada, em recipiente pequeno, dentro e ao redor da casa. Resolver o problema é achar o criadouro, e ele quase nunca está onde a pessoa imagina que está.
Aedes aegyptiOutros nomes: Aedes, Aedes aegypti, mosquito rajado, mosquito listrado, mosquito da dengue, da zika e da chikungunyaRevisado em 22/09/2026Equipe Dedetizadoras do Brasil
Como identificar
O primeiro corte é o tamanho; os outros campos confirmam. Comparar dois campos já separa esta praga das que mais se confundem com ela.
- Tamanho
- Pequeno, perto de meio centímetro, visivelmente menor e mais curto que o pernilongo comum que zumbe no ouvido à noite.
- Cor
- Escuro, quase preto, com desenho de escamas brancas no dorso e no corpo. De longe parece só um mosquito escuro; de perto, parece riscado de branco.
- Marca que não falha
- Anéis brancos nas pernas, bem marcados, como se o mosquito usasse meias listradas. Nenhum pernilongo comum tem esse listrado nas patas.
- Horário
- Pica de dia, com mais frequência no começo da manhã e no fim da tarde. Mosquito que ataca de madrugada, no escuro, em geral é outro.
- Som
- Praticamente silencioso para o ouvido humano. Quem sente a picada antes de ouvir qualquer coisa costuma estar diante desta espécie.
- Comportamento
- Voa baixo, junto ao chão, e ataca tornozelo, pé e panturrilha. Foge ao menor movimento e volta poucos segundos depois, por isso deixa várias picadas próximas na mesma perna.
- Onde aparece
- Dentro de casa, em canto sombreado e abrigado: atrás da porta, sob a mesa, atrás da cortina, embaixo da cama e no meio das roupas penduradas.
Confunde-se com:
Os sinais que aparecem antes do bicho
Na maioria das casas o vestígio chega antes do bicho. Achar um destes já vale mais que ver um exemplar solto.
- Larva na águaÉ o vestígio que decide tudo, e não precisa de nenhum equipamento. Olhe a água parada contra a luz: se houver criadouro, aparecem fiozinhos de 2 a 8 mm, claros ou acinzentados, pendurados de cabeça para baixo na superfície, com a ponta encostada no ar. Ao menor movimento do recipiente ou da sua sombra, eles mergulham para o fundo em zigue-zague, com um movimento nervoso de vírgula, e voltam a subir em alguns segundos. Muita gente chama isso de bicho-da-água ou de sujeirinha que se mexe. É a forma jovem do mosquito, e encontrar uma só já significa criadouro ativo.
- Ovos colados na parede do recipientePontinhos pretos, do tamanho de um grão de pó, colados na parede interna do vaso, do balde, do pneu e do prato, logo acima da linha onde a água costuma chegar, muitas vezes numa faixa escura que parece encardido. Eles não estão soltos na água, estão grudados. Esse é o detalhe mais importante da página inteira: os ovos aguentam meses de seca e nascem quando a água volta a subir. Por isso trocar a água e não esfregar a parede não resolve nada, e a mesma vasilha volta a produzir mosquito depois da primeira chuva.
- PupaUm corpo escuro em forma de vírgula ou de cabeça grande com rabinho, que fica parado na superfície e some para o fundo aos trancos quando se assusta. É a fase que vem logo antes do mosquito adulto, e ela não come: se você encontrou pupa, o mosquito já está a poucos dias de sair voando daquele recipiente.
- Película e cascas na superfícieCascas translúcidas minúsculas boiando na água, restos da troca de pele das formas jovens, muitas vezes junto da borda. Em água que ninguém mexe há dias, elas se acumulam e formam uma sujeirinha clara que parece poeira boiando.
- Picada de dia, sem zumbidoO vestígio que mais aparece antes de qualquer outro. Coceira e pápula no tornozelo e no pé no meio da tarde, dentro de casa, sem ter ouvido o mosquito e muitas vezes sem tê-lo visto. Quando o incômodo é noturno e vem com zumbido no ouvido, a chance de ser outra espécie é grande.
- Mosquito parado na parede em posição baixaEle descansa em superfície escura e protegida, perto do chão, em geral abaixo da altura da cintura: rodapé, pé da parede atrás do móvel, parte de baixo da pia, interior do armário aberto e roupa pendurada. Procurar na parte alta da parede é um erro comum.
- Água que não deveria estar aliVestígio indireto e muito útil: marca de umidade permanente na laje, mancha escura embaixo da condensadora do ar-condicionado, poça que continua no mesmo lugar dois dias depois da chuva, calha transbordando pela lateral e prato de vaso sempre cheio. Onde a água fica parada por cerca de uma semana, o ciclo se completa.
- Silêncio enganosoVale registrar o contrário também: dá para ter criadouro produtivo no quintal e não ver mosquito nenhum dentro de casa naquele momento, e dá para ouvir mosquito a noite toda sem ter um único criadouro desta espécie por perto. A presença de zumbido noturno não mede risco de dengue, e a ausência dele não tranquiliza ninguém.
O que atrai
- Água limpa e parada em qualquer recipiente, por menor que seja: tampinha, calha, prato de vaso e brinquedo esquecido no quintal.
- Recipiente de parede lisa e escura, que a fêmea prefere para colar os ovos.
- Sombra e abrigo: quintal com entulho, área de serviço fechada e vão embaixo da escada.
- Gente por perto, porque a fêmea depende de sangue para produzir os ovos e vive muito próxima de onde as pessoas moram.
- Roupa escura pendurada e canto sem circulação de ar, que servem de repouso durante o dia.
- Obra parada, imóvel fechado e terreno usado como depósito, que juntam recipiente e sombra no mesmo lugar.
Onde se esconde
- Atrás e embaixo dos móveis, principalmente na parte baixa do cômodo.
- Entre roupas penduradas no armário aberto, atrás da porta e atrás da cortina.
- Embaixo da pia, atrás do vaso sanitário e no canto escuro do banheiro.
- Na área de serviço, atrás do tanque e da máquina de lavar.
- Em garagem coberta, embaixo do carro e atrás de caixa e de pneu guardados.
- Na parte sombreada da varanda, junto a vaso de planta grande.
Risco à saúde
Esta espécie é o vetor urbano da dengue, da zika, da chikungunya e da febre amarela urbana no Brasil. O mecanismo importa para entender a prevenção: o mosquito não nasce transmitindo nada. A fêmea se infecta ao picar uma pessoa que está com o vírus circulando no sangue e, depois de alguns dias, passa a transmitir a cada nova picada. Isso explica duas coisas que confundem muita gente. A primeira é que o problema anda junto com a presença de pessoas, e não com sujeira: a espécie vive dentro de casa e depende do morador. A segunda é que um único criadouro no quintal pode sustentar transmissão na rua inteira, porque o raio de voo dela é curto e a vizinhança está dentro desse raio. A picada em si é banal, com coceira e pápula, e o risco não está nela, e sim no que ela pode carregar. Este site não trata de sintoma, de diagnóstico nem de conduta clínica, e não é lugar para isso: febre depois de picada de mosquito é motivo de procurar um serviço de saúde e contar que houve exposição. Existem sinais de alarme que mudam a urgência do atendimento, e a única orientação correta que cabe aqui é a mesma: diante deles, procure imediatamente um serviço de saúde. Quem avalia, decide e acompanha é o profissional de saúde, nunca uma empresa de controle de pragas e nunca uma página da internet.
Picada ou mordida: os sinais e o que fazer
Os sinais
- Pápula pequena, avermelhada e elevada, que aparece minutos depois da picada e coça.
- Quase sempre em tornozelo, pé, panturrilha e antebraço, porque o voo é baixo.
- Várias picadas próximas, no mesmo membro, porque a fêmea se assusta e volta várias vezes.
- Acontece de dia, dentro de casa, com frequência sem que a pessoa tenha visto ou ouvido o mosquito.
- A coceira costuma ceder em um ou dois dias, e a marca pode demorar mais para sumir, sobretudo em criança.
O que fazer
- Lave o local com água e sabão.
- Evite coçar e mantenha a unha curta, porque a ferida aberta pela unha é o que costuma infeccionar.
- Não fure nem esprema a bolha, se ela se formar.
- Não passe produto de limpeza, pasta caseira nem qualquer coisa que não seja indicada por profissional de saúde.
- Se houver muita coceira, ou coceira em criança pequena, quem orienta o que usar na pele é o serviço de saúde.
- Anote o dia da picada. Essa informação ajuda quem for atender você depois.
Quando procurar atendimento. Procure um serviço de saúde diante de febre, dor no corpo, dor atrás dos olhos ou manchas na pele depois de picada de mosquito, e conte que houve exposição e quando. Procure também se a picada evoluir com vermelhidão que aumenta, calor, dor, pus ou febre, que são sinais de infecção na pele, e diante de qualquer reação que se espalhe pelo corpo ou atrapalhe a respiração. Existem sinais de alarme que indicam procurar atendimento imediatamente, e a avaliação é sempre do serviço de saúde.
Como prevenir
- Esfregue a parede interna do recipiente ao trocar a água, e não só troque a água.Os ovos ficam colados acima da linha da água e resistem por meses à seca. Trocar a água sem escovar a parede deixa a próxima geração intacta, e ela nasce assim que a água sobe de novo.
- Encha o prato do vaso de planta com areia até a borda, ou tire o prato.A areia absorve a água da rega e impede que sobre lâmina livre para a fêmea pôr ovos. É o criadouro mais comum de apartamento, e o que mais passa despercebido porque a pessoa acha que aquela água é pouca.
- Verifique a bandeja de degelo atrás e embaixo da geladeira.Ela recebe água limpa o tempo todo, fica escura, quente e ninguém olha ali durante anos. É criadouro dentro de casa, e não no quintal.
- Confira a bandeja e a saída de dreno do ar-condicionado, e a poça embaixo da condensadora.O aparelho produz água limpa continuamente. Quando o dreno entope ou a mangueira deságua num ponto que empoça, forma-se um criadouro permanente, protegido do sol e da chuva.
- Limpe a calha e confira se ela escoa de verdade depois da chuva.Folha e sujeira formam represas ao longo da calha, e cada represa segura água limpa por semanas. Como ninguém vê a calha por cima, ela é o criadouro que mais dura numa casa.
- Ande pela laje e pelo telhado dois dias depois da chuva e procure poça.Laje com caimento errado, telha quebrada e ralo de laje entupido guardam água limpa parada exatamente pelo tempo que o ciclo precisa, cerca de uma semana.
- Tampe ou vede o ralo externo pouco usado, da área de serviço e do quintal.Ralo que quase não recebe água fica com o sifão cheio e parado, sem renovar. Uma tampa, uma tela fina ou o uso frequente resolvem.
- Trate ou esvazie a piscina parada, inclusive a piscina de plástico de criança.Piscina sem tratamento e sem circulação vira criadouro em poucos dias, e a capa mal esticada é pior ainda, porque junta água limpa em cima dela.
- Lave e escove o bebedouro do animal todo dia, e não apenas complete a água.É água limpa, trocada com frequência insuficiente e com parede lisa, que é exatamente o que a fêmea procura. Completar sem escovar mantém os ovos grudados na borda.
- Confira a vedação da tampa da caixa de água, inclusive a folga do cano.Tampa torta, tampa quebrada e o vão em volta do cano deixam a fêmea entrar em uma reserva de água limpa protegida. Aqui o problema não é só mosquito: caixa mal vedada recebe poeira, folha, fezes de ave e animal morto. Veja como isso é feito em limpeza de caixa de água.
- Guarde garrafa, balde, bacia e vasilha com a boca para baixo.Recipiente virado não acumula água nenhuma. É a medida mais barata da lista e a que mais reduz criadouro em quintal de casa.
- Não guarde pneu descoberto, e fure o fundo do que precisar ficar.O pneu é o criadouro mais eficiente que existe: guarda água limpa, protege do sol, tem parede escura e áspera para os ovos e não seca nem em estiagem longa.
- Lave a bromélia e qualquer planta que acumule água entre as folhas.A água que fica na axila da folha é limpa e protegida, e funciona como recipiente natural. Lavar com jato firme desaloja as formas jovens.
- Coloque tela nas janelas e use mosquiteiro em berço e em cama de quem passa o dia deitado.A tela não elimina o criadouro, mas separa a pessoa do mosquito nas horas em que ele ataca. Vale principalmente para criança pequena, para idoso e para quem está doente em casa.
Por que volta
Por três motivos, e nenhum deles é serviço malfeito. O primeiro são os ovos: eles ficam colados na parede do recipiente, acima da água, e sobrevivem meses de seca. Quando a chuva volta e a água sobe, eles nascem. Um quintal que parecia resolvido em agosto entrega mosquito em novembro sem que nada novo tenha chegado ali. Esfregar a parede do recipiente é o que quebra esse ciclo, e quase ninguém faz. O segundo é o alcance: a fêmea voa pouco, mas voa o bastante para cobrir a casa do lado, o fundo do terreno vizinho, o bueiro da esquina e a obra parada da rua. Você pode ter feito a varredura inteira dentro de casa e continuar recebendo mosquito produzido a poucos metros, em lugar onde você não pode entrar. O terceiro é a diferença entre matar o adulto e acabar com o criadouro. Qualquer ação contra o mosquito adulto, inclusive o carro de fumacê que passa na rua, atinge o mosquito que está voando naquele momento e tem efeito curto. Se o criadouro continua produzindo, em poucos dias a população volta ao mesmo tamanho. Por isso o trabalho de verdade é de recipiente, de calha e de ralo, e não de nuvem de produto. Desconfie de quem promete que, depois do serviço, o mosquito nunca mais volta ao seu imóvel: com criadouro ativo na vizinhança, isso não depende só de você nem só da empresa.
Quando chamar uma empresa
- Você fez a varredura da casa inteira, tirou o que dava e continua vendo mosquito picando de dia.
- O imóvel é grande, tem laje alta, telhado extenso, calha longa ou área externa que você não consegue inspecionar com segurança.
- É condomínio ou prédio, onde caixa de água, calha, ralo de laje, piscina e jardim são área comum e a varredura precisa ser do edifício inteiro.
- Existe piscina desativada, reservatório grande, cisterna, caixa de inspeção ou poço que precisam de avaliação técnica.
- A caixa de água está sem vedação adequada ou nunca foi limpa, caso em que o serviço é limpeza de reservatório, e não dedetização.
- O imóvel ficou fechado por meses, é obra parada ou é depósito com material acumulado.
- Há terreno baldio, casa abandonada ou entulho na rua produzindo mosquito, caso em que a empresa não tem acesso e quem atua é a vigilância do município.
Quando aparece mais
A busca e o problema sobem junto com a chuva e o calor, de outubro a maio na maior parte do Brasil. Não é que o mosquito apareça do nada: os ovos colocados no fim do verão anterior passaram a seca colados nos recipientes e nascem nas primeiras chuvas fortes. Por isso a varredura mais útil do ano é a que se faz antes da temporada de chuva, e não durante ela.
A varredura de criadouros, lugar por lugar
A regra é simples de enunciar e difícil de aplicar: onde houver água limpa parada por cerca de uma semana, pode haver criadouro. A dificuldade é que quase ninguém procura nos lugares certos. A imagem que as campanhas deixaram na cabeça das pessoas é a do pneu no quintal e a do lixo acumulado, e por isso quem mora em apartamento limpo se acha fora do assunto. Faça a varredura pelos lugares abaixo, com lanterna, olhando a água contra a luz.
Dentro de casa. O prato do vaso de planta é o campeão absoluto, principalmente o do vaso grande da sala e o da varanda, que a pessoa rega e esquece. A bandeja de degelo atrás e embaixo da geladeira recebe água limpa continuamente e costuma passar anos sem ser vista. O vaso de flor com água, o porta-escova, a bandeja embaixo do filtro e o copo do bebedouro do animal entram na mesma conta. O bebedouro merece atenção especial: completar a água todo dia sem escovar a borda mantém os ovos exatamente onde eles estão.
Na área de serviço e no banheiro. O ralo externo pouco usado é um criadouro discreto: o sifão fica cheio, a água não renova e ninguém olha. O mesmo vale para o ralo do box da suíte que ninguém usa, para a máquina de lavar que guarda água no fundo e para o tanque com a saída semitampada. Confira também a bandeja do ar-condicionado e onde a mangueira do dreno termina: se ela deságua num ponto que empoça, você tem água limpa renovada todo dia, à sombra.
No quintal, na laje e no telhado. Caminhe por ali dois dias depois de uma chuva forte, que é quando o problema se revela sozinho. Procure poça na laje por caimento errado, ralo de laje entupido, telha quebrada segurando água, e principalmente a calha: folha e sujeira formam represas ao longo dela e seguram água por semanas sem que ninguém perceba, porque a calha só se vê de cima. Vire garrafa, balde, bacia, carrinho de mão, brinquedo e vasilha de obra com a boca para baixo. Pneu guardado descoberto é o pior recipiente de todos, porque guarda água, protege do sol e não seca. Piscina parada, inclusive a de plástico da criança, e capa de piscina mal esticada produzem em poucos dias. Bromélia e planta que acumula água entre as folhas também contam.
O que abastece a casa. A tampa da caixa de água é o ponto que mais costuma estar errado sem ninguém saber: tampa torta, tampa rachada ou o vão em volta do cano bastam para a fêmea entrar e usar uma reserva protegida de água limpa. Vale conferir também cisterna, caixa de inspeção, poço desativado e reservatório de obra. Esse é o ponto em que a dengue encontra outro assunto do site, porque caixa mal vedada não é só criadouro: veja o que envolve a limpeza de caixa de água.
Uma observação que economiza trabalho: não adianta esvaziar e recolocar água. Os ovos estão colados na parede interna, um pouco acima da linha da água, e resistem à seca por meses. Esfregar a parede com escova é o que de fato interrompe o ciclo naquele recipiente.
Não é qualquer mosquito: como saber se o problema é este
A confusão mais comum e mais cara é com o pernilongo, também chamado de muriçoca ou de carapanã. Os dois são mosquitos, e param por aí. O pernilongo é maior, castanho e sem listras brancas nas pernas, zumbe no ouvido, ataca à noite e se cria em água suja e parada, com matéria orgânica: fossa, caixa de gordura, ralo e esgoto a céu aberto. O mosquito da dengue é menor, escuro, tem anéis brancos nas patas, é praticamente silencioso, ataca de dia, voa baixo e se cria em água limpa, em recipiente pequeno.
Essa diferença inverte a conclusão prática nos dois sentidos, e é por isso que vale insistir nela. Quem passa a noite se defendendo de zumbido não está, por causa disso, diante de risco de dengue, e pode estar procurando criadouro no lugar errado. E quem não ouve mosquito nenhum de noite pode ter criadouro produtivo no prato do vaso da sala. Ausência de zumbido não é boa notícia, e presença de zumbido não é alarme de dengue.
Outras duas confusões aparecem com frequência. A mosquinha pequena e escura que sai do ralo do banheiro, com asas de aspecto peludo e que pousa nas paredes do box, não é mosquito da dengue: é um inseto de esgoto, tratado na página de mosca, e o foco dela é o material gorduroso acumulado no ralo. E quando a pessoa acorda com várias picadas que coçam, alinhadas ou em grupo, sempre nas partes cobertas pelo lençol, vale ler sobre percevejo de cama antes de culpar o mosquito: o padrão da picada e o horário separam os dois.
Por que a dedetização do imóvel não resolve dengue sozinha
Esta parte é desconfortável para quem vende serviço, e por isso mesmo precisa estar escrita. Controle de mosquito adulto dentro de um imóvel reduz o número de mosquitos que estão ali naquele momento e ajuda bastante quando existe incômodo pesado, quando há alguém doente em casa ou quando é preciso baixar a população rapidamente. O que ele não faz é acabar com a origem do problema, porque a origem é o criadouro, e o criadouro pode estar do outro lado do muro, no terreno abandonado da esquina, no bueiro da rua, na obra parada ou na laje do prédio vizinho. A fêmea voa pouco, mas voa o suficiente para atravessar o quarteirão, e nenhum serviço contratado por você alcança o quintal dos outros.
É por isso que o controle da dengue é, por natureza, coletivo e municipal. Quem entra em imóvel de terceiro, notifica terreno baldio, trata criadouro que não dá para eliminar, faz o monitoramento do bairro e decide sobre ação de rua é a vigilância do município, e não uma empresa privada. Se o foco que atinge a sua casa está num imóvel abandonado ou na via pública, o caminho certo é acionar a vigilância ou a prefeitura, e não contratar mais uma visita.
Isso não torna a empresa inútil, e vale ser preciso aqui. Ela é especialmente útil na inspeção, que é o trabalho mais subestimado desse assunto: uma empresa licenciada sobe na laje, abre a caixa de passagem, olha a calha, confere reservatório e localiza recipiente esquecido que o morador não alcança nem enxerga. Ela também é o caminho quando o problema é de condomínio, em que a área comum concentra calha, ralo de laje, jardim, piscina e reservatório: veja controle de mosquitos e controle de pragas em condomínio, porque tratar um apartamento só, nesse assunto, resolve pouca coisa.
Uma empresa séria avalia o imóvel antes de propor qualquer coisa, aponta os criadouros encontrados, explica o que vai ser feito, trabalha com responsável técnico e entrega registro do serviço executado, conforme a RDC 52/2009 da Anvisa. Ela também diz o que está fora do alcance dela. O que perguntar antes de fechar está em como escolher uma dedetizadora, e o que fazer antes e depois da visita está em o que fazer antes e depois da dedetização.
Onde encontrar empresas
1 empresa da base declara controle de mosquitos no próprio nome registrado, em 0 cidades. Quem não diz nada no nome pode atender do mesmo jeito: a atividade registrada é controle de pragas urbanas, que cobre esta praga. Use como pista, não como lista fechada.
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Perguntas frequentes
O mosquito da dengue se cria em água suja ou em água limpa?
Em água limpa e parada, o oposto do pernilongo comum. Por isso ele aparece em casa organizada e em apartamento alto: o criadouro dele é o prato do vaso, a bandeja da geladeira, a calha, a bandeja do ar-condicionado e a caixa de água mal vedada, e não o esgoto. Água com matéria orgânica costuma indicar outra espécie.
Trocar a água do vaso e do bebedouro toda semana resolve?
Ajuda, mas sozinho não resolve. Os ovos ficam colados na parede interna do recipiente, um pouco acima da linha da água, e sobrevivem meses de seca. Ao repor a água, eles nascem. O que interrompe o ciclo naquele recipiente é esfregar a parede com escova ao trocar a água, e não apenas esvaziar e encher de novo.
Moro em apartamento no andar alto. Preciso me preocupar?
Sim. O mosquito usa elevador, escada e o poço de ventilação, e o criadouro dele costuma ser interno: prato de vaso na varanda, bandeja da geladeira, bandeja do ar-condicionado e ralo pouco usado. Em prédio, a área comum pesa muito, porque calha, ralo de laje, jardim, piscina e reservatório ficam sob responsabilidade do condomínio.
A dedetização acaba com a dengue no meu imóvel?
Não sozinha, e é honesto dizer isso. O serviço reduz o mosquito adulto presente e ajuda na inspeção de pontos que o morador não alcança, como laje, calha e reservatório. Mas a origem é o criadouro, e ele pode estar no vizinho, no terreno baldio ou na rua. O controle da dengue é coletivo e municipal, e a vigilância do município é quem atua fora do seu imóvel.
Fui picado. O que eu faço?
Lave o local com água e sabão, evite coçar e mantenha a unha curta, porque a ferida aberta pela unha é o que costuma infeccionar. Anote o dia da picada. Diante de febre, dor no corpo ou manchas na pele depois disso, procure um serviço de saúde e informe a exposição. Quem avalia e orienta é o profissional de saúde.
O carro do fumacê que passou na rua resolveu o problema?
Ele atinge o mosquito adulto que está voando naquele momento e tem efeito curto, por isso costuma ser usado em situação específica, decidida pela vigilância do município. Se o criadouro continua produzindo no quintal, na calha ou no prato do vaso, em poucos dias a população volta ao tamanho anterior. O trabalho que dura é o de recipiente.
Fontes
- Anvisa. RDC 52/2009, que dispõe sobre o funcionamento de empresas de controle de vetores e pragas urbanas.
- Anvisa. Consulta de produtos saneantes registrados.
Escrito por Equipe Dedetizadoras do Brasil. Publicado em 22/09/2026 e revisado em 22/09/2026. Achou erro ou informação desatualizada? Avise a gente.
Este guia não ensina a aplicar produto. Saneante desinfestante é de uso profissional, tem registro na Anvisa e exige responsável técnico: a aplicação errada intoxica gente e animal de casa e ainda seleciona população resistente, que volta mais difícil de tratar. O que está aqui é identificação, prevenção e o momento de chamar empresa licenciada. Em caso de contato ou ingestão, ligue para o Disque-Intoxicação 0800 722 6001, do Ministério da Saúde.