Cupim de solo: como identificar e como acabar com ele
Se há um cordão de terra endurecida subindo pela parede, pelo pilar, pela viga ou atrás do rodapé, é cupim de solo. A colônia dele fica no chão, muitas vezes fora do imóvel, e ele constrói esses caminhos de barro para chegar até a madeira sem se expor ao ar seco e à luz.
Coptotermes gestroiOutros nomes: cupim subterrâneo, cupim de chão, cupim de parede, cupim de terraRevisado em 22/09/2026Equipe Dedetizadoras do Brasil
Como identificar
O primeiro corte é o tamanho; os outros campos confirmam. Comparar dois campos já separa esta praga das que mais se confundem com ela.
- Marca que não falha
- O túnel de terra. Um cordão de barro de 5 mm a 3 cm de largura, colado na superfície, subindo do chão em direção à madeira. Nenhuma outra praga de madeira constrói isso.
- Contato com o solo
- Precisa, quase sempre. A colônia depende da umidade do solo e mantém ligação com ele. É a diferença central para o cupim de madeira seca.
- Deixa pó?
- Não. Ele não solta grãos nem serragem. O que aparece é terra, barro e madeira suja por dentro. Pó embaixo do móvel aponta para outra praga.
- Tamanho do inseto
- O operário tem cerca de 4 a 6 mm, é branco-leitoso e mole. O alado da revoada mede de 10 a 15 mm com as asas e é castanho-amarelado.
- Soldado
- Cabeça alaranjada ou amarelada, maior que o corpo, com um par de mandíbulas bem visíveis. Ao quebrar um túnel, são os primeiros a aparecer na abertura.
- Onde aparece
- Parede, pilar, viga, contrapiso, batente de porta encostado no piso, caixa de passagem, jardim, tronco de árvore e madeiramento de telhado, quando ele chega lá.
- O que ele come além de madeira
- Papel, papelão, livro, caixa guardada, forro de fibra, miolo de porta e até o papel que reveste a chapa de gesso. Tudo que tem celulose.
Confunde-se com:
Os sinais que aparecem antes do bicho
Na maioria das casas o vestígio chega antes do bicho. Achar um destes já vale mais que ver um exemplar solto.
- Túnel de terra na paredeÉ o vestígio decisivo. Um caminho estreito de terra endurecida, cor de barro, colado na parede, no pilar, no pé-direito, na lateral do batente ou atrás do rodapé, sempre partindo do chão para cima. Quebre um pedaço pequeno com a ponta de uma chave: se aparecerem insetos brancos e moles lá dentro, o caminho está ativo agora. Se estiver vazio, seco e desmanchando, pode ser passagem antiga, e vale observar se ele é reconstruído nos dias seguintes.
- Terra dentro da madeiraAo abrir uma peça atacada, o interior aparece com terra, barro e uma espécie de pasta escura preenchendo as galerias. Isso separa o cupim de solo dos outros dois na hora: o cupim de madeira seca deixa grãos duros e soltos, e a broca deixa pó fino. O cupim de solo leva terra para dentro.
- Madeira com aspecto de folhas coladasEle come seguindo as camadas mais moles da madeira e deixa as camadas duras, então a peça aberta lembra folhas de papel empilhadas ou um livro molhado. É bem diferente das câmaras limpas e lisas que o cupim de madeira seca deixa.
- Som oco e superfície que cedeBata com a unha ao longo do rodapé, do batente e da parte baixa das portas, comparando trechos. Som abafado indica vazio por dentro. Pressione com a unha: onde a casca cede com pouca força e sai um cheiro de terra úmida, a peça já está comprometida. Batente encostado no piso é o ponto mais comum de todos.
- Asas soltas depois da revoadaMontinhos de asas transparentes, todas do mesmo tamanho, perto de janela, luminária, peitoril e ralo. Os alados perdem as asas logo depois do voo. Asas em quantidade dentro de casa, com as janelas fechadas, indicam que a revoada partiu de dentro do imóvel.
- Furinhos no reboco e na pinturaPequenas aberturas na parede, às vezes com um ponto de terra em volta, usadas como saída dos alados. Aparecem em época de revoada e costumam ser tapadas pela própria colônia depois. Numa parede de gesso, o sinal é um bolsão que soa oco e cede ao toque.
- Ausência de póVestígio por falta, e muito útil. Se há dano evidente na madeira mas nenhum montinho de pó embaixo, a suspeita cai para cupim de solo. Pó granulado como areia aponta para cupim de madeira seca, e pó fino como talco, para broca.
- Livro, caixa e papel roídos no chão do armárioCaixa de papelão encostada na parede, pilha de revista, álbum de foto e livro na prateleira de baixo aparecem colados por dentro, com terra entre as folhas. Muita gente encontra o cupim de solo primeiro no papel, e não na madeira.
O que atrai
- Umidade permanente: vazamento em parede, infiltração no contrapiso, jardim encostado na fundação.
- Madeira em contato direto com o solo: mourão, deck sobre terra, batente assentado no piso, poste de cerca.
- Sobra de obra enterrada no terreno, como forma de madeira, sarrafo e restos de tapume.
- Tronco, toco de árvore e raiz morta no jardim, que funcionam como colônia vizinha.
- Caixa de papelão e papel guardados no chão de garagem, depósito e área de serviço.
- Vaso e canteiro encostados na parede, que mantêm a base do muro sempre úmida.
Onde se esconde
- No solo, dentro ou fora do terreno, às vezes a dezenas de metros do dano visível.
- Dentro de parede, entre o reboco e a alvenaria, e no vão de chapa de gesso.
- Atrás do rodapé e embaixo do piso de madeira ou laminado.
- No contrapiso, em caixa de passagem, em tubulação elétrica e em junta de dilatação.
- No batente e na parte baixa de portas, que encostam no piso.
- No jardim, em toco de árvore, em raiz e em mourão de cerca, de onde avança para a casa.
Risco à saúde
O cupim de solo não pica, não morde pessoas e não transmite doença. O risco dele é estrutural, e é o maior entre as três pragas de madeira justamente por isso: ele chega a viga, pilar de madeira, escada, batente, madeiramento de telhado e assoalho, e trabalha escondido dentro da parede por anos antes de qualquer sinal aparecer na superfície. Quando o dano fica visível, a perda de resistência da peça já aconteceu. O risco concreto para as pessoas da casa é indireto e vem daí: degrau que cede, forro que desaba, peça de telhado que falha em temporal. Há também o risco de perda de documento, livro e foto, porque ele come papel com a mesma facilidade com que come madeira. Nenhum desses riscos pede pânico, e todos pedem inspeção antes do que a maioria das pessoas faz.
Como prevenir
- Conserte vazamento e infiltração na base da parede e no contrapiso.Umidade constante é o que sustenta a colônia perto da casa. Sem ela, a espécie tem muito mais dificuldade de manter os caminhos até a madeira.
- Tire madeira do contato direto com o solo.Mourão, deck, tapume e sarrafo assentados na terra são a ponte mais curta entre a colônia e a casa. Elevar a peça ou usar base de concreto quebra essa ponte.
- Afaste canteiro, vaso e terra da parede, e evite irrigação encostada na fundação.Jardim colado no muro mantém a base sempre úmida e esconde o começo dos túneis, que é exatamente onde você conseguiria vê-los primeiro.
- Remova toco de árvore, raiz morta e sobra de obra enterrada no terreno.Cada um deles é uma colônia potencial a poucos metros da casa, e a colônia avança para a madeira mais próxima quando a fonte antiga acaba.
- Olhe a base das paredes, os pilares e o rodapé duas vezes por ano.O túnel de terra é visível e lento de crescer. Uma inspeção semestral de dez minutos costuma encontrar o problema anos antes de ele chegar à estrutura.
- Guarde papel, papelão e livro fora do chão, em prateleira e em caixa plástica.Papel em contato com o piso é o primeiro alvo em garagem e depósito, e também o primeiro aviso de que a colônia já entrou no imóvel.
- Em obra e reforma, peça barreira e tratamento de solo antes de concretar.Tratar o solo com a vala aberta é incomparavelmente mais simples do que alcançar o mesmo ponto depois do piso pronto e da casa mobiliada.
Por que volta
Porque o ninho quase nunca está onde o dano aparece. A colônia fica no solo e pode estar embaixo do piso, no jardim, na calçada ou no terreno vizinho, ligada à sua casa por caminhos subterrâneos que ninguém vê. Tratar a madeira atacada e quebrar os túneis visíveis resolve o que está à vista e deixa a colônia trabalhando, e em algumas semanas ela abre um caminho novo por outro ponto. Essa é a razão de o controle desta espécie costumar envolver o solo e o perímetro, e não só a peça danificada. O segundo motivo é a umidade: vazamento, infiltração e jardim encostado na fundação continuam sustentando a colônia depois do serviço, e sem mexer nisso o problema retorna pelo mesmo motivo de antes. O terceiro é o tempo: o dano é lento, e um caso descoberto tarde pede acompanhamento por meses, com inspeção programada. A empresa avalia o que cabe em cada imóvel e o resultado varia conforme a infestação. Desconfie de quem garante que o cupim nunca mais volta.
Quando chamar uma empresa
- Encontrar qualquer túnel de terra, mesmo pequeno, em parede, pilar, viga ou rodapé.
- Perceber som oco em batente, rodapé, assoalho, escada ou peça do telhado.
- Ver operários brancos ao quebrar um cordão de barro, o que indica caminho ativo.
- Aparecer revoada partindo de dentro do imóvel, com asas acumuladas no chão.
- Notar livro, caixa e papel colados por dentro, com terra entre as folhas.
- Haver histórico de cupim no terreno, no vizinho ou em obra recente na rua.
- Ter dúvida entre cupim de solo, cupim de móvel e broca, porque a abordagem é diferente em cada caso.
Quando aparece mais
A revoada vem logo depois das primeiras chuvas fortes que quebram o período seco, em geral entre setembro e dezembro na maior parte do Brasil, com variação conforme a região. Ela acontece quase sempre no fim da tarde ou no começo da noite, em dia quente e abafado. Fora dessa janela, o sinal que aparece o ano inteiro é o túnel de terra, que cresce devagar e não depende de estação.
Cupim de solo, cupim de móvel ou broca: o teste do túnel de terra
A primeira pergunta a fazer, antes de qualquer outra, é se existe um caminho de terra. Ela separa os três casos mais rápido do que qualquer outra observação.
O cupim de solo constrói cordões de barro colados na superfície, subindo do chão para a madeira, porque ele morre exposto ao ar seco e precisa de um corredor protegido e úmido. Se há esse cordão, é ele, e o caso tende a envolver estrutura, porque a colônia está no solo e alcança viga, pilar, assoalho e telhado.
O cupim de madeira seca não faz nada disso. Ele vive inteiro dentro da peça, tira a umidade da própria madeira e não tem ligação com o chão. Em compensação, ele deixa o que o cupim de solo nunca deixa: aquele montinho de pó granulado e duro, parecido com areia fina, embaixo do móvel, da porta ou do rodapé.
A broca de madeira não é cupim. É besouro, e o furo de saída do adulto é redondo, limpo e bem circular, de 1 a 3 mm, com um pó farináceo embaixo, fino como talco, que mancha o dedo de claro.
Na prática: procure terra primeiro. Terra colada na parede é cupim de solo. Sem terra, olhe o pó. Granulado e áspero é madeira seca. Fino e macio, com furo redondo acima, é broca. Se houver terra e pó ao mesmo tempo, o imóvel pode ter mais de uma praga, o que acontece com frequência e é mais um motivo para a inspeção ser feita por quem já viu os três.
Revoada: o que significa o cupim voando dentro de casa
Depois das primeiras chuvas fortes do ano, numa noite quente e abafada, a colônia madura solta de uma vez centenas de insetos alados. Eles voam mal, correm para a luz, batem na lâmpada, caem, perdem as asas e morrem em poucas horas. É a revoada, e é quando a maior parte das pessoas descobre que existe uma colônia por perto.
O que ela significa: esses alados não vieram comer nada e não atacam ninguém. São machos e fêmeas saindo para tentar fundar colônias novas em outro lugar. A revoada não causa o dano. Ela avisa que existe uma colônia madura, com anos de idade, em algum lugar, e a pergunta que importa é se essa colônia está ligada ao seu imóvel.
Como investigar sem ser especialista: com as janelas fechadas, observe de onde eles saem. Alados brotando de um furinho no reboco, da junta do rodapé, da lateral do batente ou de uma fresta do forro indicam colônia ligada à casa. Alados entrando pela janela ou se juntando na luz da varanda e do poste indicam colônia da vizinhança, e mesmo assim vale olhar a base das paredes nos dias seguintes.
O que fazer naquela noite: apague a luz do cômodo, acenda uma lâmpada distante para concentrar os insetos longe da madeira, feche as janelas e recolha alados e asas com aspirador ou pano úmido. Guarde alguns em um pote fechado, porque a identificação da espécie muda o plano de trabalho. Fotografe o ponto de saída antes de limpar.
O que não adianta: matar os alados um a um não atinge a colônia, já que eles saíram dela e morreriam em poucas horas de qualquer forma. Tapar o furinho do reboco também não resolve, porque a colônia abre outro. E este site não orienta preparo nem aplicação de produto químico, nem na noite da revoada nem depois dela.
Estrutura atacada: o que esperar de um serviço bem feito
Este é o caso em que a inspeção vale mais do que em qualquer outro, porque o ninho está escondido e pode estar fora do imóvel. Uma empresa licenciada percorre a base das paredes, pilares, rodapés, caixas de passagem, jardim e perímetro do terreno antes de propor qualquer coisa, procura caminhos ativos, identifica os pontos de umidade e explica onde a colônia provavelmente está. Orçamento dado por telefone, sem alguém olhar o imóvel, não tem como levar isso em conta.
A empresa precisa ter responsável técnico e licença sanitária, e deve entregar comprovante do serviço executado com as orientações de retorno ao ambiente. Você pode conferir se o produto informado é registrado na [consulta de saneantes da Anvisa](https://consultas.anvisa.gov.br/#/saneantes/). O funcionamento dessas empresas é tratado na RDC 52/2009. Em nenhuma hipótese este site ensina preparo, dosagem ou aplicação de produto: isso é trabalho de quem responde tecnicamente por ele.
Expectativa realista: como a colônia está no solo, o controle costuma ser um processo com etapas e inspeções de acompanhamento, e não um evento de uma tarde. Peça que perdeu resistência pode precisar de reforço ou de substituição mesmo depois de a colônia ser controlada, porque o tratamento cuida do inseto e não devolve o que a madeira perdeu. Pergunte isso antes de fechar, principalmente se o ataque chegou a assoalho, escada ou madeiramento de telhado.
O que perguntar a cada empresa está em como escolher uma dedetizadora, e o preparo do imóvel, em o que fazer antes e depois da dedetização. Em prédio, veja controle de pragas em condomínio, porque fundação, jardim e áreas comuns são responsabilidade coletiva e tratar um apartamento isolado costuma não resolver. O serviço está descrito em descupinização.
Onde encontrar empresas
41 empresas da base declaram descupinização no próprio nome registrado, em 3 cidades. Quem não diz nada no nome pode atender do mesmo jeito: a atividade registrada é controle de pragas urbanas, que cobre esta praga. Use como pista, não como lista fechada.
Com descupinização declarado no nome:
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Perguntas frequentes
Cupim em móvel: dá para salvar?
Quando o ataque é de cupim de solo, o móvel costuma ser a menor parte do problema, porque a colônia chegou ali vinda do chão ou da parede e a estrutura também pode estar comprometida. A peça em si em geral é recuperável se ainda tiver madeira sólida por dentro, e a empresa avalia caso a caso. O que muda o resultado é tratar a origem no solo, e não apenas a peça atacada.
Achei um túnel de terra na parede. É grave?
É um sinal que merece atenção rápida, porque indica ligação entre a colônia no solo e algo com celulose dentro do imóvel. Quebre um pedaço pequeno: se houver insetos brancos e moles, o caminho está ativo. Não gaste tempo raspando tudo, porque a colônia reconstrói em dias por outro ponto. Fotografe, anote o local e peça inspeção.
O cupim pode estar no terreno do vizinho e atacar a minha casa?
Pode, e é comum. A colônia fica no solo e se desloca por caminhos subterrâneos que atravessam calçada, muro e divisa sem aparecer na superfície. Por isso a inspeção olha o perímetro do terreno e não só o cômodo danificado, e por isso casos em condomínio e em casa geminada costumam ser tratados em conjunto com a vizinhança para dar resultado.
Cupim de solo come papel e livro?
Come. Ele se alimenta de celulose, então papel, papelão, livro, álbum de foto, documento guardado, forro de fibra e até o papel que reveste a chapa de gesso entram no cardápio. Muita gente descobre a infestação exatamente assim, ao mover uma caixa de papelão do chão da garagem e encontrar as folhas coladas com terra entre elas.
Por que não vejo pó nenhum, se tem cupim?
Porque o cupim de solo não produz pó. Ele leva terra para dentro das galerias em vez de expulsar resíduo, então a madeira aparece suja e úmida por dentro, sem montinho embaixo. Pó granulado como areia aponta para cupim de madeira seca, e pó fino como talco, com furo redondo, aponta para broca. Ausência de pó com dano evidente é um bom indício de cupim de solo.
Dá para resolver sozinho?
Dá para reduzir bastante o convite, consertando vazamento, afastando terra e jardim da parede, tirando madeira do contato com o solo e removendo tocos do terreno. Isso muda o resultado de verdade. O que não dá é alcançar uma colônia que vive no solo, muitas vezes fora do imóvel, e essa parte a empresa avalia. Este site não orienta manuseio de produto.
Fontes
- Anvisa. RDC 52/2009, que dispõe sobre o funcionamento de empresas de controle de vetores e pragas urbanas.
- Anvisa. Consulta de produtos saneantes registrados.
Escrito por Equipe Dedetizadoras do Brasil. Publicado em 22/09/2026 e revisado em 22/09/2026. Achou erro ou informação desatualizada? Avise a gente.
Este guia não ensina a aplicar produto. Saneante desinfestante é de uso profissional, tem registro na Anvisa e exige responsável técnico: a aplicação errada intoxica gente e animal de casa e ainda seleciona população resistente, que volta mais difícil de tratar. O que está aqui é identificação, prevenção e o momento de chamar empresa licenciada. Em caso de contato ou ingestão, ligue para o Disque-Intoxicação 0800 722 6001, do Ministério da Saúde.